Eu queria poder andar sozinha pela noite nas ruas, como quem procura paz ou procura respostas, como quem vaga sem ser visto, e observa as pessoas nos bares, ou nas calçadas;
Conversas e risadas de um grupo de amigos, ou a menina no banheiro retocando a maquiagem... Na noite todos são iguais, todos querem se divertir... Encontram no fundo de um copo que já foi bebido, toda a coragem de que necessitam para estarem ali, a segurança de chegar, ser e sair... Eu queria ser invisível para observar, passar e não ser notada, e ver a reação de cada um a cada coisa que acontece... Até mesmo para ver só o que acontece, mesmo que não houvessem maiores reações...
Andar sozinha nas ruas a noite, só sentindo a noite, e o vento frio no meu rosto... Viver, mas não está ali, e pudesse ir a vários lugares diferentes, como se fosse levada por uma ventania rápida passando, para o lugar que eu quisesse, no tempo de um sopro, ou de um piscar de olhos... Poder olhar para as pessoas que gosto, beijar a bochecha e sair, como se ninguém visse ou sentisse nada, apenas eu pudesse estar ali, aquietar meu coração e sair... Também queria ter o poder de curar e só fazer o bem.
Aonde eu visse alguém chorando, soprar um pozinho que fizesse sorrir. Depois passar em um hospital de crianças com câncer,e em cada quarto jogar o pozinho mágico que haveria em minha sacola, e todas elas acordassem com seus cabelos grandes, coradas e saudáveis.
Eu queria só poder observar o mundo e vê-lo mais feliz.
Ao invés de ver pessoas procurando companhia pro momento, ou para o simples fato de se sentirem desejáveis e conquistadoras, e não incapazes e sozinhas, na noite... Quando acordassem, pudessem encontrar alguém, para abraçar e compartilhar o dia, as alegrias, alguém que pudessem contar, ou simplesmente para estar ali, fazendo corações alegres, e momentos comuns especialmente diferentes...
Que essa noite tão somente minha, e longe de qualquer perigo, não passasse até que eu tivesse resolvido todos os problemas, e eu agora caminhando nas ruas iluminadas e vazias, voltando para casa, subitamente acordasse deitada em uma cadeira de praia, com meus amigos rindo estridentemente alto, e alguém se virasse para mim e dissesse: Porquê você não está rindo? Não entendeu a piada? E eu responderia: O quê?
Enquanto alguém ali só pensasse que eu estava desligada do momento, mal saberia que ali estava só o meu corpo desligado, e na verdade nunca imaginaria, onde meu verdadeiro "eu" estava, e o que realmente estava fazendo... Só queria poder voltar e sair quando eu quisesse, e tudo continuasse normal e ali...










