terça-feira, 19 de julho de 2011

De repente algumas músicas falam, o que eu quero dizer...

 A minha liberdade de expressão hoje, começa assim:

Tô nem aqui, tô nem ali, tô nem aí...



Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague
Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague
Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague.


Em homenagem a todos os dias, em que socializar é cansativo...





...


Posso ser doce, mas também existo na opção meio-amargo:




E enfim, é isso!


Um comentário:

  1. Parabéns Sarah!
    Chico Buarque é realmente um artísta fantástico.
    Essa musica é ótima, quero dizer: O álbum (1971 - Construção) em que essa música foi lançada é sem dúvida um fato único na MPB.
    Eu recomendo (caso você não conheça) a musica com o mesmo nome do álbum.

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